No caminho à Barcelona… 15.05.2015

Na estrada, transpassando as fronteiras da França em direção à Espanha,  observo os mais diversos tipos de vegetação: árvores,  grama e arbustos já denunciam a entrada em um novo país.  Passamos pela região da fronteira entre a França e a Espanha: as gentes já não eram mais as mesmas. Rostos rústicos, belos e com vestimentas próprias evidenciavam suas expressões singulares. Peles mais bronzeadas, arquétipos ricos. Desejei conhecer mais de perto aquela gente,  além dos aspectos paisagísticos daquela terra, nem espanhola nem francesa. Apesar de ainda estarmos no território francês, cheguei a assistir uma parte do “jornal falado” (como diz minha avó Janete) numa língua distinta: o catalão.

Alguém já disse que não se pode colocar a luz debaixo do alqueire. Brilhe, porque não oferecer ao mundo o algo construtivo que você sabe fazer – alguns chamam esse algo de dom – é também um mal. Temos um ensinamento parecido também na sabedoria budista.

A curiosidade é meu dom e a minha luz. Por isso, quero compartilhar alguns desdobramentos da minha curiosidade diária em terras europeias com vocês. Parto do pressuposto de que a verdade é um espelho jogado do céu, que foi quebrado em várias minúsculas partes as quais foram sendo colhidas pelos povos em várias partes do mundo. A minha busca está sendo de procurar algumas minusculas partes desse espelho quebrado a fim de alcançar um auto-descobrimento também. Desta feita, nenhum de nós, nenhum povo tem a verdade absoluta: é necessário nos unirmos todos a fim de tentar reconstruir esse espelho “perdido”. Será a união, a meu ver, e não a adoração de cada parte separada de um espelho que vai ser necessária à reconstrução deste, e consequentemente, da verdade. E sim, estou me permitindo ser um tanto platônica aqui…

Mas o que danado tem haver a paisagem , com o catalão e com a verdade?

Justamente, a busca de algo que é, a ser interpretado segundo minha visão de mundo já alavancada pela minha bagagem cultural, familiar e espiritual. O laboratório disso tudo? Esse blog.

Quero mergulhar um pouco no dia – a-dia desses povos. Além do olhar,  eu quero apreciar! Além da aparência, eu quero conhecer. Além do superficial, eu quero me aprofundar no espaço onde estou, nas cidades por onde vou,  nas histórias que alguém ainda não contou…

Por hoje é sol! Amanhã, quem sabe, choverá? Espero que não, quero aproveitar! Barcelona, aí vou eu!!

¡Hasta Luego, muchachos!

Leticia

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SOBRE O AMOR, VIAGENS E MINHA VIDA EM OLINDA

Após ter ido para Dijon, Beaune, Lausanne, Genéve, Lausanne e Clermont Ferrand desde que cheguei aqui em Lyon, decidi fazer uma postagem sobre o tema sugerido pelo blog ROOTAROOTS – blogueiros de raiz (siiim, tô adorando os temas propostos) sobre o amor.

Afinal, o que é o amor? O amor romântico, amor paixão, amor fraterno, amor divino e singelo. O “morrer por amor” no seu sentido romântico está se tornando cada vez menos valorizado e visto até mesmo como equivalente a uma certa dose de exagero e extravagância. Eu diria que estamos indo em um caminho melhor, já que agora falamos de VIVER por amor ou, ainda melhor, VIVER DE AMOR. No final, esse é um alimento necessário a todos os seres humanos, não é?
Mas o que o amor tem a ver com viagens, paisagens e tantas outras coisas novas as quais nos deparamos ao longo de uma viagem para o desconhecido? Eu digo o que: quando vemos uma viagem como uma oportunidade de autoconhecimento, tudo aquilo novo que está no exterior te toca de uma maneira que você começa a enxergar partes até então desconhecidas dentro de si mesmo também. Começa a se deparar com sentimentos antes desconsiderados, com decisões que vão de encontro àquilo preconizado pela “razão”, vai desconstruindo aquele esteriótipo que você mesmo criou para si mesmo. Vai desconstruindo crenças as quais já não te servem mais, aquelas que travavam a sua própria garganta e te impediam de ir além da zona de conforto a qual você se encontrava. E olha a surpresa: quando você deixa o seu porto seguro, milhares de coisas podem acontecer! E isso é incrível! Afinal, mares calmos não fazem bons marinheiros, como já dizia o provérbio africano.
Entre os erros e acertos, decisões e circunstâncias novas, eu fui aprendendo a me amar.E aqui estou novamente ao centro da nossa conversa: O amor. “Ama o próximo como a si mesmo” já disse alguém há mais de dois mil anos atrás. E aí a gente deturpa totalmente esse ensinamento achando que AGRADAR a todos é igual a AMAR. Pois eu tenho uma notícia mais agradável para te dizer: não é isso. O amor é transcendental, como você pode amar os outros se ainda não descobriu o amor a si mesmo? E quando eu digo isso não quero incentivar o egoísmo nem desnaturar o altruísmo… Foi o altruísmo que me salvou de uma depressão leve que tive há uns anos atrás. Salvou-me pelo amor do outro, porque ao “esquecer” de mim, deixar de lado um pouquinho as minhas necessidades e olhar de perto as necessidades daquelas crianças que quase não tiveram oportunidade na vida me fez ver a vida toda com outros olhos. E a gente só enxerga bem com o coração, como já disse o Pequeno Príncipe.
amor, meus amigos, é uma construção. É uma espiral. O ódio/ciúme são o amor doente. Ambos atraem vibrações que elevam ou rebaixam sua frequência vibratória. Porque são a face de uma mesma essência sentimental.
O amor é o sorriso da minha irmã Clara, ao me ver e gritar: “Tíciaaaa!!” e daí sair correndo de onde está para vir me dar o melhor abraço do dia. O amor é a possibilidade de diálogo que eu tenho com meu irmão enquanto vamos comer sushi lá em Olinda. O amor é o beijo que eu dou em minha mãe todos os dias antes de sair de casa para ir à faculdade, ela me dizendo: “Deus te abençõe, minha filha”. O amor são as conversas que variam de política, relacionamentos, transcendência e opinião que eu tenho com meu pai quando ele vai me deixar na faculdade. O amor é o acalanto dos meus quatro avós ainda vivos – e eu tenho consciência da BENÇÃO que é ter os quatro avós vivos nos dias de hoje. O amor é o almoço que minha tia Lúcia faz na casa dela com a lasanha maravilhosa, onde, além de comer maravilhosamente bem, posso ver meus primos, minhas tias e meus tios que amo muito, além de todos os agregados que já fazem parte também de nossa família espiritual.
O amor é amplo, ele está em todo lugar. É só ter olhos para enxergar.
Então, vai! Ama e faz o que quiseres! Eu, por enquanto estou viajando. Mas a gente se encontra por aí, na esquina da vida… Porque você sabe: o mundo é um ovo! Estamos todos conectados.
Com amor,
Letícia

Carta para meu EU do futuro

Boa noooite! Hoje estou fazendo um pequeno parênteses, aproveitando os temas sugeridos lá pelo grupo do Rootaroots-blogueiros de raiz! De alguma forma, tem também relação com a minha viagem à Lyon, então não fiquem bravos 😀

Carta para meu EU do futuro – 10 anos depois

Olá Letícia com 33 anos de idade!

Realmente, estou curiosa para saber até onde você chegou em dez anos. VocÊ sempre foi uma menina lutadora: lutou desesperadamente para nascer, depois para conseguir ser a menina mais rápida do prédio (que conseguia pegar os meninos mais rápidos e colocar na prisão na brincadeira polícia e ladrão) […] Para suportar os amores não correspondidos lutou através da poesia […] dos amores correspondidos que se foram você conseguiu fazer os seus melhores poemas […] Lutou para passar no vestibular, depois para ir à Lyon conquistar seu sonho de aprofundar os estudos em Direitos Humanos… É, rapadura é doce, mas num é mole não!
Não sei onde você está, Letícia. Mas eu estou agora em Lyon e deixei tanto de pensar no futuro, porque ele me angustiava. Teve um tempo no qual eu encucava para saber exatamente todos os passos  para chegar onde quero. No entanto, cheguei a um momento onde estou vivendo mais as sensações. Pode ser que amanhã seja diferente, uma vez sermos metamorfoses ambulantes, como já diria Raul!
Mas eu sei que daqui a alguns meses e anos, Letícia, você estará exatamente onde você precisa estar. Seja solteira, casada, amancebada, ou em mochilão por esse mundão à fora. Eu só gostaria de, nesses dez anos, você não ter esquecido de como nasceu, onde viveu, suas origens. Penso não ser nada legal você estar em um lugar onde não acredita estar fazendo a diferença de alguma forma. Além do dinheiro:  que você esteja fazendo o que você ama, algo que o mundo também precise, sendo você muito bom nisso e que você, no final, seja pago por isso. Se for bem pago, melhor ainda! Tudo se soma!
E quanto aos amores, menina-mulher, espero que você esteja mais confiante em si. E que essa confiança possa ser refletida naqueles os quais te rodeiam: pai, mãe, irmão, irmã, e família, no sentido espiritual mais amplo, porque há laços que transcendem aqueles do sangue. Além de, se você estiver numa relação amorosa, esteja inteira, sem esperar uma possível metade da laranja, mas apenas se trabalhar a si mesma com o outro para a consecução de uma união verdadeira, amorosa e duradoura. Se você já tiver filhos, que o amor de mãe sempre existente em ti possa ultrapassar as barreiras do invisível, de modo que você possa dar um bom apoio e educação a essa criança maravilhosa.
Acima de tudo, Letícia com 33 anos: se cuide! Porque como você vai dar conta disso tudo sem uma boa saúde? Como vai lutar para os Direitos Humanos se concretizarem se você não estiver inteira? É tempo de viver, e viver é amar, é lutar, é saber, é viajar! Ah, e não esquece de estudar!
Abraços imensos do seu EU de 23 anos.

3 meses em Lyon – Sobre fases, adaptação e quedas!

Olááá gente linda, depois de uns vinte dias sem escrever por aqui, vim dar o ar da graça!! Para quem não sabe, ontem fez 3 meses que eu aterrissei nas terras Lyonesas! Isso aí… já faz esse tempo todinho, digaí?

Três meses na França já me deu uma experiência danada, seja de lidar com a solidão, com o medo da perda, com a ansiedade, saudades de casa e da família… Não foi fácil, mas eu meio que já sabia disso quando vim pra cá, já que tinha tido a experiência parecida em Londres, onde passei três meses também!

A situação, segundo meu parâmatro, é mais ou menos a seguinte:

1º mês: Choque cultural, troca cultural, conhecimento de outras formas de vida, outra forma de cozinha (para quem divide a cozinha com mais de 30 pessoas), conhecer gente nova praticamente todos os dias, de vários países diferentes, treinar o francês com o primeiro francês que aparece na sua vista, seja no ponto de ônibus, no supermercado, na padaria ou mesmo num barzinho/festa – que ocorrem (as famososas rendez-vous) praticamente toda semana. É aquele momento de forçar amizade, como já disse minha colega Gisely Melo em seu blog! Tudo é novidade, tudo é lindo, tudo é perfeito….

E aqui está a diferença entre o meu intercâmbio para a Inglaterra e o que estou fazendo de agora: o primeiro mês! Em Londres, foi mais sofrido para mim, que nunca tinha ficado longe de minha família/amigos durante tanto tempo, e estava pela primeira vez sozinha em terras inglesas… Aqui não foi tão sofrido! Pelo menos não nesse momento…

2º mês: Mês em que você começa a se adequar, conhecer os lugares mais baratos para comprar botas, por exemplo (no meu caso, comprei uma bota na New Look por 15 euros :O, graças a uma dica massa de uma amiga minha carioca)! Se bem que isso é algo contínuo, sempre vai ter lugares baratos para se descobrir! É o mês também em que você precisa ter consciência da data em que você precisa pagar o aluguel e de quanto você gasta normalmente (semanalmente) para fazer feira, por exemplo. As amizades mais sólidas começam a se assentar e você já não está mais naquele pique inicial de falar com Deus e o mundo e sair adicionando todo mundo no face hehehe. Isso não quer dizer que você não vá conhecendo também gente nova…

3 mês: É o mês em que estou agora! Sinto que meio que se fechou um ciclo de “perdas” – já perdi meu celular, dois cachecóis (inclusive um lindo vermelho que eu tinha ido comprar num mercado lá em Vaulx-en-Velin por 3 euros #chateada), já perdi meu celular pela primeira vez (novinho que eu tinha acabado de comprar, um Samsung que tira selfie super massa..), junto com minhas chaves, meu cartão de transporte, meu cartão de biblioteca e minha carteira de estudante – sendo que recuperei magicamente TUDO graças a minha amiga Amanda, de Maceió, depois de uma boate. Já perdi meu juízo – brincadeira mãe, já recuperei! Ah, e perdi o cabo da minha câmera fotográfica…

Pelo menos não perdi minhas chaves (já aprendi), meu passaporte, nem minha cabeça (porque ela é grudada né…)

Quem me conhece aqui já vai me perguntando: e aí, qual foi a próxima coisa que perdesse? Joanna e Inti vivem pegando coisas que eu deixo na cozinha porque esqueço lá… hehehhe

Mais uma coisa: QUEDAS!

Já caí três vezes, de maneira FEIA aqui em Lyon

1ª queda: foi quando eu estava indo para o metrô. Não tinha vindo ainda para a residência, estava indo para a faculdade a partir do Hostel. Estava nevando. Nisso, haja vista que meu tênis é emborrachado embaixo, eu simplesmente deslizei escadaria abaixo, uns 7 degraus.  Uma senhora que estava lá, viu tudo, me ajudou a levantar e fez mais ou menos essa cara ao me perguntar:

queda
Perguntou-me: você está bem?

E eu respondi:

marlyn rindo
Claro que estou bem! Obrigada! =DD

Mas na realidade eu estava assim por dentro:

Ai minha bundaa!!
Ai minha bundaa!!

2a queda: Eu estava atrasada para ir à faculdade assistir a aula de Suivi Linguistique et Métodologique/ Français, de modo que eu fechei a porta do quarto e saí meio que correndo porque eu tinha acabado de ver no aplicativo do TCL (empresa de transporte público daqui, que diz exatamente a hora que o busão vai passar na parada) que o busão tava chegando. Sendo que, alguma coisa ocorreu, não sei o que, que eu acho que devo ter esquecido de pisar em algum degrau. Eu só me lembro que meio que voei e caí naquele intervalo entre os lances de escada, e senti que meu pé tinha torcido um pouco.

Foi meio que assim...
             Foi mais ou menos  assim…

Bem, eu me levantei e pensei: isso é para aprender a não sair correndo desesperadamente e a acordar mais cedo para ir para a aula! Saí devagarinho, para ver se não tinha quebrado nada, mancando um pouco, e aceitei o fato que chegar atrasada nesse dia era melhor do que chegar cedo no hospital!

3a queda: Eu estava na faculdade com uma mochila bem pesada nas costas, já que finalmente eu iria estudar na biblioteca! Estava me achando com um cachecol novo que tinha acabado de comprar (o vermelho, que depois eu perdi) e não lembrei que tinha uma escadaria que iria dar no pátio entre o prédio Clio e a cafeteria. Resultado: baque imenso e torci o pé de novo. Mas nada grave, só a dor na hora que foi grande! Uma estudante parou e me perguntou se eu estava bem… eu disse que estava e agradeci por ela se preocupar, mas dessa vez não fiz a cara da Marilyn Monroe sorrindo…

Após uma análise reflexiva dessas minhas quedas, eu me dei conta de que completei três quedas para cada mês de vivência em Lyon… Que lindo né? Poético. Simbólico. Doloroso…

As quedas podem acontecer em qualquer lugar onde você esteja. O importante é ter a força e coragem para se levantar e tentar de novo, cada dia um pouquinho. Não se preocupar em ser o melhor, em ser o mais rápido, nem o mais inteligente, mas apenas ter a persistência de tentar fazer algo diferente todos os dias. O significado da vida somos nós que atribuímos com as nossas ações, experiências, erros (ou oportunidade de aprendizado, como eu costumo falar), além da percepção que temos sobre a vida.

Uma pessoa pode ser infeliz estando no Brasil ou estando na França. Porque não é para onde você vai que realmente importa, mas COMO você faz e de que maneira você está usufruindo uma nova experiência, viagem, pessoas. Mas não será uma viagem, pessoas e festas que te farão feliz. Como já diria a poetisa Alice Ruiz, “a  felicidade é questão de talento”. Cabe a nós exercermos essa arte, atribuindo significado e valor a cada momento, a cada conversa, a cada sorriso, a cada paisagem maravilhosa. Só assim poderemos ser autênticos: sem medo, porém com cautela e com a simplicidade de ser exatamente quem somos.

Por que se tornar alguém que você não quer, só porque “é assim mesmo que as coisas são na França/Brasil”? Não, eu posso ser eu mesma, tenho o direito de ser feliz, porém tendo consciência que, apesar de intercâmbios e viagens serem experiência maravilhosas de conhecimento, isso pouco importa quando você não olha de fato para quem você está sendo. O momento de hoje será o futuro de amanhã, e olhar o passado para evitar sofrimentos futuros nem sempre ajuda.

Viva, usufrua, caia e levante. A vida é feita de ciclos. Seja, faça, aconteça: o seu caminho é você, só você que trilha. Você que vai sofrer as consequências das suas escolhas, por mais difíceis que elas sejam. Mas a vida é feita de riscos: vale a pena tentar e falhar, se a sua intenção inicial era de acertar. Nada se perde, tudo se transforma, já diria a lei de Lavoisier. =)

Namastê!

2º dia em Lyon – Parc Tête D’Or

Quando eu  conheci Tommy, aqui no Hostel, ele na verdade foi bem rude comigo. Tanto que a argentina que estava conversando conosco disse que ele não precisava ter feito isso. Tudo isso porque eu perguntei quantas línguas o pessoal na sala falava, todos falaram, e  depois eu disse que podia falar três (português, inglês e francês – intermediário) e compreender o espanhol. Ele achou que eu estava insultando ele, sei lá. Bizarro. Depois desse fato ele ficou conversando duas horas com a namorada dele no telefone.

No dia 18 de janeiro, a menina argentina disse a ele que ele foi grosso comigo, e ele pediu desculpas e respondeu que não se lembrava de ter dito isso. Eu disse que estava tudo bem e fomos todos ao Parc Tête D’Or, caminhando (uns 3 km).

Passamos primeiro por um grande túnel que fizeram, novo, abaixo de Fouvière. Nesse túnel é possível ver vários hologramas bem surreais e uma música altamente psicodélica. Até Tommy disse que uma galera fumou muita maconha para fazer aqueles desenhos holográficos.

Nesse meio tempo, deixei cair a luva que a minha amiga Camilla me emprestou. Quando percebi, já tinha atravessado a rua. Nisso, saí voltando o caminho por onde tinha passado e vi um menino que andava no skate com seu amigo, rindo muito com a LUVA DA MINHA AMIGA na mão dele. Aí eu gritei: HEY HEY! MY GLOVES! – pardon, não sabia como eram luvas em francês, agora sei que é “gants” – ESCUSEZ-MOI, C’EST SONT MES “GLOVES” *Franglês do caramba, então!* Ainda por cima, fiz várias mímicas em menos de cinco segundos ao mesmo tempo em que eu falava isso. Acho que o menino do skate entendeu né?? Aí ele finalmente atravessou a rua e me devolveu – Thank you, merci! – ele ficou rindo da minha cara franglesa e foi embora.

Andamos bastante até o Parc Tête D’Or (meu irmão, parecia que nunca ia chegar)

Parc Tête D’or – imagem: http://lyon-france.com

…mas quando chegamos lá, valeu MUITO A PENA. Gente, é tipo o Parque Treze de Maio de Recife, só que não.

É porque lá é um parque bem grande, cheio de árvores, as pessoas podem também se exercitar, levar seus cachorros e seus filhos para passear (a maioria em carrinho, mesmo quando eles são já grandes) e andar de patinete (gente, a galera anda muito de patinete aqui)

Além de tudo, eles têm um ZOOLÓGICO dentro do parque! Que tem até LEÃO, EM LYON

Trocadalho do carilho, hã?

Sem falar dos bebês e crianças todas lindamente empacotadas por causa do frio, côsa mai linda, xessuis

                                                Muito foooofix gentee

Depois do passeio, fomos comer sushi – um tanto caro, mas resolvi experimentar uma vez só pra saber como são esses restaurantes em que a gente pega os pratinhos numa esteira que passa e depois paga pela consumação. Gostei muito, mas o preço me deixa meio sem vontade de voltar lá hehehe.

Nesse tempo, Tomas disse que tinha esquecido a carteira em casa e pediu para eu pagar a parte dele que quando voltássemos ao hostel ele me pagaria. Assim, dei a minha parte e à dele e menina argentina e a menina argentina pagou tudo no cartão de crédito.

Depois de tudo, eu ainda não conhecia a cidade, não sabia como andar nela e tava com medo de me perder. A menina argentina, muito gente boa, iria ao Centro Histórico de Resistência em Lyon. Como ela iria à Paris de lá, resolvi voltar com Tommy ao albergue, com medo de me perder e não saber voltar depois.

Na volta, ele contou toda aquela história que eu contei aqui no blog nesse post!

Essa foi a história que aconteceu no dia 18/01/2015 ;D

Coisas que não me disseram antes de eu vir pra França – papelada!

Olá gente linda do bem! Quero pedir desculpaaaas pela minha ausência, mas eu passei uns dias doidinha aqui resolvendo as coisas burocrááááticas (pouco não, se amostra a França), além de estudar bastaaaante pra Direito e Francês – rapadura é doce mas num é mole não, mô véi.

Vim dizer que não morri, estou viva e estou dando o ar da graça! 😀

Diz, graça…

– Hoje é o post que eu fiz durante as minhas desventuras burocráticas na França e resolvi deixar assim depois de dois meses atualizando hahaha.

Imagem: OBS, blog de investigatión

Coisas que não me disseram antes de vir para a França:

– Que eu teria que ir pra Brasília tirar meu visto (quando o visto é de mais de seis meses), apesar de não precisar fazer entrevista. Fiquem ligados, porque antes tem que mandar um monte de documento pra lá pelos correios e se inscrever no Campus France.

– Que era para trazer pelo menos umas 15 fotos 3×4 (aqui é bem mais caro e não tem a qualidade do Fotobeleza, é tudo mecanizado), para entregar para a residência, Titre de sejour e seguro saúde.

– que eu tinha que tirar o Titre de Sejour (descobri depois que não iria precisar, porque tem dizendo isso no meu visto).

– Que eu precisava trazer uma cópia autenticada da minha certidão de nascimento para tentar o beneficio do CAF (Programa de  habitação para estudantes, onde eles reembolsam uma parte em sua conta bancária francesa – ou não). As pessoas brasileiras com quem falei dizem que não sabem bem quais os critérios de recebimento do benefício, mas vale a pena tentar.

– Que para ter uma conta bancária você precisa já estar na residência e para estar na residência você precisa de uma conta bancária. ***Oi? Ainda bem que a tia da residência disse que eu poderia fazer um seguro habitação num local que eles não exigiam conta bancária. Aí fui lá, paguei o seguro habitação, trouxe uma cópia para ela. Aí ela me deu um atestado de residência e consegui fazer a conta bancária no BNP Parribas.

– Que as copiadoras (fotocópias) daqui são totalmente diferentes!  Você compra um cartão de tipo 3 euros e tem direito a tirar um certo numero de  coloridas(mais caro) e preto e branco. Apanhei muito até saber como é que funciona aquelas danadas daquelas máquinas   de impressão também. Passei a maior vergonha xessus…

– Que eu iria ter que tirar muitas cópias de muitos documentos. Se eu soubesse eu teria tirado copias de documentos no Brasil mesmo, e aqui eu iria tirar só dos documentos que eu recebi aqui.

– Que eu ia pagar só 3.2 euros por cor de roupa que eu fosse lavar e 1.5 para secar (em outros lugares pagam 5 euros ou mais).

– Que eu poderia economizar e não usar o secador de roupas, deixando elas secarem pelo quarto em cabides – secam bem rápido!

– Que a burocracia aqui na França chega a ser bem pior que no Brasil!

Por enquanto é isso gente, mais um desabafo aqui depois de me enrolar com algumas coisas burocráticas…

–Que eu deveria ter trazido todos os meus cadernos antigos de francês 😥

E vocês? Já tiveram algum problema burocrático em alguma viagem para o exterior?

oii

Histórias de quem eu encontrei… – 1ª parte

Boa noite, genteeem!

Hoje estou inaugurando um novo bloco, que tem o intuito de contar um pouco das histórias que eu escutei aqui em Lyon ou mesmo nas viagens!  Geralmente peço o permissão à pessoa para publicar, senão, coloco homônimos para preservar a privacidade do pessoal 😉

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Aiii Letícia, conta loooogo!!!

Hoje a história é de um homem que conheci no Hostel, chamado Tommy. Um pouco dramática e não tão de bom humor como nos outros posts, mas achei bem interessante,..

Tommy é polonês, viveu muito tempo no interior da Polônia, em uma grande fazenda, tem 33 anos. Perdeu a mãe aos 20 anos e o pai dois anos depois, de alcoolismo (minha amiga polonesa diz que é o típico drama das famílias polonesas). Conseguiu bolsa de estudos para estudar na escola de engenheira de som, mas só seria possível estudar se falasse bem inglês. Por isso, precisou morar seis meses na Inglaterra a fim de aprimorar a língua inglesa, senão ele iria perder o curso. Foi para Londres, depois voltou para a Polônia e conseguiu o diploma de engenheiro de som. Começou a fumar maconha e beber álcool aos 13 anos, perdeu a virgindade aos 14 anos com uma mulher três anos mais velha que ele.

Atualmente é alcoolatra e viciado em cocaína, além de fumar bastante maconha. Teve várias perdas ao longo de sua vida e várias namoradas também. Pelo que parece, teve relacionamentos intensos, muito passionais. Ele contou que namorou uma mulher que sofria de bulimia. Morou com ela durante cinco anos. Ele disse que ela é uma designer de carros muito famosa em Paris. Ele disse que ela melhorou da bulimia quando o conheceu, e ele passou a fumar e a beber bem menos na época. No entanto, no último ano que passaram juntos ela perdeu muito peso e ele começou a desconfiar que ela tinha voltado a vomitar e, consequentemente, a se autodestruir. Ele disse que ela usava um truque que era o de sempre comprar as mesmas roupas, só que de um número cada vez menor, para tentar se camuflar. Contudo, ele percebeu a mentira e eles passaram a brigar bastante. Depois disso, ele passou a cheirar mais cocaína, a beber mais e a fumar mais também. “Two self-destructive people would never work together”, foi a frase que ele utilizou (tradução: duas pessoas autodestrutivas nunca iriam dar certo juntas).

Eles se separaram, ela quis vender o apartamento, mas não chegou de fato a fazê-lo. Depois de perambular por outros países, ele retornou à Paris e se encontrou novamente com ela. Ela ofereceu a casa dela para ele ficar, já que ele estava num hostel na época. Ele aceitou, passou a dormir no sofá durante duas semanas, até que um dia ambos ficaram muito bêbados assistindo um filme e transaram. Do sexo imprevisto, veio a gravidez. Ele disse que se sentiu pleno, já escolhendo o nome da criança, imaginando uma casa maior para o bebê que iria chegar. Pediu para ter uma conversa séria com ela, de modo que chegou a pedir para ela dar a luz ao bebê… Ela concordou, no entanto os pais dela não gostavam nem um pouco da relação dela com Tommy. Mesmo assim, o polonês viu uma oportunidade de mudar sua vida totalmente e construir um futuro junto à companheira.

No entanto, três semanas depois, eles brigaram. Alguns dias depois, ela foi ao médico e pediu para abortar.

Tommy se sentiu muito frustrado com a perda de um filho que ele gostaria de ter tido. Ele pensa que o aborto deve ser algo refletido e decidido por ambos os pais, e não somente pela mulher. Afinal, ambos os fizeram e ambos têm a responsabilidade sobre o ato. Mais um grande pesar angustiante que ele passou a carregar na vida. Toda uma perspectiva do futuro de formar uma família, que ele já não tem, acabou-se.

Depois desse fato, a separação foi violenta e de vez. Tommy passou a se drogar mais, sempre conseguindo um emprego aqui ou acolá para conseguir manter o vício.

Passou a perambular pelos países à fora, fazendo viagens por toda a Europa.

No momento que o conheci, no Albergue, estava num relacionamento com uma música, que toca violoncelo em vários espetáculos que ocorrem na França. Ele disse que ela é muito ocupada, que a relação entre eles é também intensa: ou eles estão intensamente juntos, todo o tempo ou ela simplesmente pede para ele ir embora, para que ela possa treinar em seu instrumento. Tommy disse que ela está treinando para uma temporada na França.

Eles brigaram recentemente porque algum amigo dele disse que ele estava com outra pessoa, que estava a traindo. Ele disse que nunca traiu ninguém na vida dele e que prefere terminar com uma pessoa para transar com outra do que fazer isso.

Bem, essa história foi contada em um dos poucos momentos em que Tommy estava sóbrio.
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Bem, é isso gente! Depois continuo sobre a minha primeira semana em Lyon, não sem antes de comentar sobre o hostel MA-RA-VI-LHO-SO que eu fiquei. Às meninas que viajam sozinhas, recomendo sempre pegar um quarto feminino 😉
Beijinho amooorecos :**
são seus olhos