3 meses em Lyon – Sobre fases, adaptação e quedas!

Olááá gente linda, depois de uns vinte dias sem escrever por aqui, vim dar o ar da graça!! Para quem não sabe, ontem fez 3 meses que eu aterrissei nas terras Lyonesas! Isso aí… já faz esse tempo todinho, digaí?

Três meses na França já me deu uma experiência danada, seja de lidar com a solidão, com o medo da perda, com a ansiedade, saudades de casa e da família… Não foi fácil, mas eu meio que já sabia disso quando vim pra cá, já que tinha tido a experiência parecida em Londres, onde passei três meses também!

A situação, segundo meu parâmatro, é mais ou menos a seguinte:

1º mês: Choque cultural, troca cultural, conhecimento de outras formas de vida, outra forma de cozinha (para quem divide a cozinha com mais de 30 pessoas), conhecer gente nova praticamente todos os dias, de vários países diferentes, treinar o francês com o primeiro francês que aparece na sua vista, seja no ponto de ônibus, no supermercado, na padaria ou mesmo num barzinho/festa – que ocorrem (as famososas rendez-vous) praticamente toda semana. É aquele momento de forçar amizade, como já disse minha colega Gisely Melo em seu blog! Tudo é novidade, tudo é lindo, tudo é perfeito….

E aqui está a diferença entre o meu intercâmbio para a Inglaterra e o que estou fazendo de agora: o primeiro mês! Em Londres, foi mais sofrido para mim, que nunca tinha ficado longe de minha família/amigos durante tanto tempo, e estava pela primeira vez sozinha em terras inglesas… Aqui não foi tão sofrido! Pelo menos não nesse momento…

2º mês: Mês em que você começa a se adequar, conhecer os lugares mais baratos para comprar botas, por exemplo (no meu caso, comprei uma bota na New Look por 15 euros :O, graças a uma dica massa de uma amiga minha carioca)! Se bem que isso é algo contínuo, sempre vai ter lugares baratos para se descobrir! É o mês também em que você precisa ter consciência da data em que você precisa pagar o aluguel e de quanto você gasta normalmente (semanalmente) para fazer feira, por exemplo. As amizades mais sólidas começam a se assentar e você já não está mais naquele pique inicial de falar com Deus e o mundo e sair adicionando todo mundo no face hehehe. Isso não quer dizer que você não vá conhecendo também gente nova…

3 mês: É o mês em que estou agora! Sinto que meio que se fechou um ciclo de “perdas” – já perdi meu celular, dois cachecóis (inclusive um lindo vermelho que eu tinha ido comprar num mercado lá em Vaulx-en-Velin por 3 euros #chateada), já perdi meu celular pela primeira vez (novinho que eu tinha acabado de comprar, um Samsung que tira selfie super massa..), junto com minhas chaves, meu cartão de transporte, meu cartão de biblioteca e minha carteira de estudante – sendo que recuperei magicamente TUDO graças a minha amiga Amanda, de Maceió, depois de uma boate. Já perdi meu juízo – brincadeira mãe, já recuperei! Ah, e perdi o cabo da minha câmera fotográfica…

Pelo menos não perdi minhas chaves (já aprendi), meu passaporte, nem minha cabeça (porque ela é grudada né…)

Quem me conhece aqui já vai me perguntando: e aí, qual foi a próxima coisa que perdesse? Joanna e Inti vivem pegando coisas que eu deixo na cozinha porque esqueço lá… hehehhe

Mais uma coisa: QUEDAS!

Já caí três vezes, de maneira FEIA aqui em Lyon

1ª queda: foi quando eu estava indo para o metrô. Não tinha vindo ainda para a residência, estava indo para a faculdade a partir do Hostel. Estava nevando. Nisso, haja vista que meu tênis é emborrachado embaixo, eu simplesmente deslizei escadaria abaixo, uns 7 degraus.  Uma senhora que estava lá, viu tudo, me ajudou a levantar e fez mais ou menos essa cara ao me perguntar:

queda
Perguntou-me: você está bem?

E eu respondi:

marlyn rindo
Claro que estou bem! Obrigada! =DD

Mas na realidade eu estava assim por dentro:

Ai minha bundaa!!
Ai minha bundaa!!

2a queda: Eu estava atrasada para ir à faculdade assistir a aula de Suivi Linguistique et Métodologique/ Français, de modo que eu fechei a porta do quarto e saí meio que correndo porque eu tinha acabado de ver no aplicativo do TCL (empresa de transporte público daqui, que diz exatamente a hora que o busão vai passar na parada) que o busão tava chegando. Sendo que, alguma coisa ocorreu, não sei o que, que eu acho que devo ter esquecido de pisar em algum degrau. Eu só me lembro que meio que voei e caí naquele intervalo entre os lances de escada, e senti que meu pé tinha torcido um pouco.

Foi meio que assim...
             Foi mais ou menos  assim…

Bem, eu me levantei e pensei: isso é para aprender a não sair correndo desesperadamente e a acordar mais cedo para ir para a aula! Saí devagarinho, para ver se não tinha quebrado nada, mancando um pouco, e aceitei o fato que chegar atrasada nesse dia era melhor do que chegar cedo no hospital!

3a queda: Eu estava na faculdade com uma mochila bem pesada nas costas, já que finalmente eu iria estudar na biblioteca! Estava me achando com um cachecol novo que tinha acabado de comprar (o vermelho, que depois eu perdi) e não lembrei que tinha uma escadaria que iria dar no pátio entre o prédio Clio e a cafeteria. Resultado: baque imenso e torci o pé de novo. Mas nada grave, só a dor na hora que foi grande! Uma estudante parou e me perguntou se eu estava bem… eu disse que estava e agradeci por ela se preocupar, mas dessa vez não fiz a cara da Marilyn Monroe sorrindo…

Após uma análise reflexiva dessas minhas quedas, eu me dei conta de que completei três quedas para cada mês de vivência em Lyon… Que lindo né? Poético. Simbólico. Doloroso…

As quedas podem acontecer em qualquer lugar onde você esteja. O importante é ter a força e coragem para se levantar e tentar de novo, cada dia um pouquinho. Não se preocupar em ser o melhor, em ser o mais rápido, nem o mais inteligente, mas apenas ter a persistência de tentar fazer algo diferente todos os dias. O significado da vida somos nós que atribuímos com as nossas ações, experiências, erros (ou oportunidade de aprendizado, como eu costumo falar), além da percepção que temos sobre a vida.

Uma pessoa pode ser infeliz estando no Brasil ou estando na França. Porque não é para onde você vai que realmente importa, mas COMO você faz e de que maneira você está usufruindo uma nova experiência, viagem, pessoas. Mas não será uma viagem, pessoas e festas que te farão feliz. Como já diria a poetisa Alice Ruiz, “a  felicidade é questão de talento”. Cabe a nós exercermos essa arte, atribuindo significado e valor a cada momento, a cada conversa, a cada sorriso, a cada paisagem maravilhosa. Só assim poderemos ser autênticos: sem medo, porém com cautela e com a simplicidade de ser exatamente quem somos.

Por que se tornar alguém que você não quer, só porque “é assim mesmo que as coisas são na França/Brasil”? Não, eu posso ser eu mesma, tenho o direito de ser feliz, porém tendo consciência que, apesar de intercâmbios e viagens serem experiência maravilhosas de conhecimento, isso pouco importa quando você não olha de fato para quem você está sendo. O momento de hoje será o futuro de amanhã, e olhar o passado para evitar sofrimentos futuros nem sempre ajuda.

Viva, usufrua, caia e levante. A vida é feita de ciclos. Seja, faça, aconteça: o seu caminho é você, só você que trilha. Você que vai sofrer as consequências das suas escolhas, por mais difíceis que elas sejam. Mas a vida é feita de riscos: vale a pena tentar e falhar, se a sua intenção inicial era de acertar. Nada se perde, tudo se transforma, já diria a lei de Lavoisier. =)

Namastê!

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